O que é o feminismo negro?

O feminismo negro surgiu nos Estados Unidos na década de 1970

 e na mesma época começou a ganhar força no Brasil

Imagem: Grupo Women's Liberation marcha em apoio ao Partido dos Panteras Negras em 1969 | Reprodução David Fenton

Mas muito antes, em 1851, o discurso “E eu não sou uma mulher?” da ativista Sojourner Truth já revelava a necessidade de uma nova vertente no feminismo

Em sua fala, Sojourner dizia que não era tratada da mesma forma que uma mulher branca

Relatava que, diferentemente das mulheres brancas,

 mulheres negras não eram vistas como frágeis

e como pessoas que estavam ali para servir de diversas formas, inclusive sexualmente

Muito pelo contrário, eram vistas como cuidadoras

Além de sofrerem com o machismo, mulheres negras sofrem também com o racismo,

o que torna a violência contra elas diferente da enfrentada por mulheres brancas

Essas particularidades ganharam uma definição oficial somente em 1989

Imagem:National Women's Hall of Fame
Imagem:National Women's Hall of Fame

Nesse ano, Kimberlé Crenshaw - jurista estadunidense - criou o conceito de interseccionalidade: um cruzamento de marcadores sociais que gera um tipo de opressão mais complexo

O feminismo negro surge para atender melhor as nuances das vivências de mulheres negras relacionando as questões raciais com as de gênero

Uma vez que mulheres negras sentiam que não havia recorte racial no discurso feminista

Uma vez que mulheres negras sentiam que não havia recorte racial no discurso feminista

E que o movimento negro não abordava questões de gênero, o que lhes dava o sentimento de um “não lugar” em ambos os movimentos

O feminismo negro chega para combater essa sensação de não pertencimento

Imagem: Mídia Ninja

O feminismo negro chega para combater essa sensação de não pertencimento

E também para reconhecer e exaltar grandes contribuições de mulheres negras para a sociedade

Imagem: Mídia Ninja

No Brasil, alguns nomes de participantes relevantes para movimento são:

Lélia Gonzalez

intelectual que escreveu trabalhos acadêmicos evidenciando as problemáticas raciais e de gênero

Imagem: Januário Garcia Rio de Janeiro 1980

Djamila Ribeiro

filósofa que defende a ideia de que o feminismo negro deve existir porque a sociedade opera uma supremacia branca e que o feminismo, sem recortes específicos, faz parte desse sistema

Vencedora do Prêmio Jabuti 2020 na categoria Ciências humanas

Médica que em 1992 foi uma das fundadoras da ONG Criola, de promoção dos direitos das mulheres negras

Jurema Werneck

Imagem: Tomaz Silva Agencia Brasil

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